Sábado, 12 de Abril de 2008

Divã virtual para jornalistas (irados ou não...)


Você já sentiu aquela vontade incontrolável de mandar o chefe lamber um paralelepípedo? Principalmente quando ele insiste num ataque apopléctico (misto de histeria com falta de ar) sem motivo aparente? Ou pior: depois de enfrentar os bancos duros da faculdade por quatro anos, acordou um belo dia e, simplesmente, não tinha mais certeza se queria seguir a carreira? Pois é, acontece — nas melhores profissões.

Feliz com a sua? Ou irritado? Seja qual for a resposta — até porque uma não exclui outra, necessariamente —, os colegas jornalistas já podem fazer terapia coletiva na Internet. O “divã virtual” Angry Journalist (http://angryjournalist.com/) foi criado pelo americano Kiyoshi Martinez, recém-formado, diga-se, justamente para tal fim. A (única) regra do blog é simples: nada de nomes verdadeiros. Anonimato garantido.

Para participar, basta responder à pergunta: Why are you angry today? Por que você está aborrecido, com a profissão, hoje? Ah... Oscila tanto, de hora em hora... De qualquer forma, é só destilar, digo, sintetizar em poucas linhas todo o veneno do dia e publicá-lo. Em inglês. Ou espanhol, na versão Periodista Cabreado (http://www.periodistacabreado.com).

Curioso é constatar que as reclamações são as mesmas. Em geral, motivadas pelas velhas razões: cursos medíocres, mercado de trabalho, salários, romantismo anacrônico... Pessimismo? Mau-humor? Pode ser. Por que não? Mas nem tudo está perdido. Ou, ao menos, os coleguinhas mais alegres podem compartilhar “pedaços de felicidade” no Happy Journalist (http://happyjournalist.com/blog), uma espécie de antídoto contra os maus bofes dos céticos. A formula se repete: Why are you happy today? E mais blábláblá. Sem problemas, essa é a idéia.

Antes do término, um comentário — em 1690, o professor Tobias Peucer defendeu a primeira tese de doutoramento sobre estrutura e fundamentos da notícia, na Universidade de Leipzig, Alemanha. O texto é considerado marco fundador da teoria jornalística. Se, e somente se, algo mudou nesses mais de trezentos anos, foi a sociedade, acredite. O jornalismo continua o mesmo — e sem horizonte previsível de mudança.

Cindy, obrigado pela dica do site.

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